Durante o evento, o Diretor da ApexBrasil, Floriano Pesaro, ressaltou a relevância de Itajaí como sede do encontro, sua posição estratégica na logística internacional do país e a importância da infraestrutura portuária local para viabilizar as novas correntes de comércio. “Esta é uma edição fantástica do Conexões Produtivas em Itajaí, um dos portos mais importantes para o comércio exterior brasileiro, focado aqui em oportunidades no acordo com a União Europeia. A gente apresentou o mapa de oportunidades para o acordo, mostrando 805 oportunidades e principalmente várias frentes na indústria da transformação, que compõe grande parte do que o estado de Santa Catarina manda para a União Europeia”, completou.
Os dados técnicos dão suporte ao otimismo institucional. O panorama macroeconômico indica que a base comercial de Santa Catarina com o bloco europeu já é robusta: em 2025, o estado registrou US$ 12,197 bilhões em exportações globais, dos quais US$ 1,356 bilhão (cerca de 11%) teve como destino a União Europeia, movimentando uma rede ativa de 761 empresas exportadoras. O Gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, apontou o perfil altamente industrializado do estado como a principal vantagem competitiva para absorver as novas vantagens comerciais. “Em Santa Catarina, o estado da indústria da transformação, o Conexões Produtivas veio mostrar que o acordo Mercosul-União Europeia tem de melhor para os empresários brasileiros e as grandes oportunidades na Europa”, disse.
O domínio industrial catarinense fica evidente em nichos tecnológicos e manufaturados de alto valor agregado dentro das vendas brasileiras para o mercado europeu. De acordo com o levantamento, o parque fabril do estado responde por impressionantes 99,1% das exportações do Brasil de motores elétricos polifásicos de média potência para a União Europeia, além de deter 98,2% do mercado de motores de alta potência e 80,2% do segmento de compressores frigoríficos. O protagonismo se estende também ao setor moveleiro, com fatias massivas de mercado como 85,7% nas vendas de móveis de madeira para escritórios e 79,5% para dormitórios, além de liderar o envio de transformadores elétricos, relés de baixa tensão e obras moldadas de ferro ou aço.
Ganhos de Competitividade e Impacto Socioeconômico
Os benefícios estimados com a consolidação do acordo vão muito além das fronteiras corporativas, gerando reflexos diretos no bem-estar social e na economia doméstica do Brasil. A Secretária de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Prazeres, contextualizou o impacto sistêmico do tratado com base em projeções e indicadores econômicos que apontam melhorias estruturais para o mercado de trabalho e o consumo nacional. “Estudos indicam que o acordo aumenta as exportações do Brasil, as importações do Brasil, aumenta salários reais, gera empregos e diminui o preço de produtos no Brasil. Ou seja, sobre todos os aspectos, é um acordo que contribui para que o Brasil se insira melhor na economia mundial, trazendo ganhos de competitividade para o país”, explica.
A agenda regulatória prevê vantagens tarifárias imediatas que eliminarão impostos aduaneiros que hoje variam de 2% a 4% sobre itens de forte circulação industrial, tais como porcas, parafusos, partes de compressores, instrumentos odontológicos e válvulas redutoras. As 805 frentes mapeadas dividem-se de forma estratégica para apoiar desde a abertura de mercados de baixa penetração atual (como máquinas de lavar e adubos) até a consolidação de lideranças existentes e recuperação de espaço comercial.
A sessão solene de abertura do fórum contou ainda com a participação do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, e do superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira. Painéis técnicos também trouxeram as perspectivas internacionais de Alex Figueiredo, diretor do escritório da agência em Bruxelas, e Dietmar Sukop, da Câmara Brasil-Alemanha, além de casos práticos de inserção no mercado europeu por grandes marcas baseadas no estado, como WEG e Cooperativa Central Aurora Alimentos. Após as discussões, técnicos da ApexBrasil e do Sebrae realizaram atendimentos individuais customizados para as empresas da região.
Tema:
Inteligência
Mercado:
Não especificado
Setor de Exportação:
Não se aplica
Setor de Investimento:
Não se aplica
Setor de serviços:
Não se aplica
Fonte: apexbrasil.com.br














